Foto: Idalina Mendes
Foto: Idalina Mendes

POR QUE A RETIRADA DOS FAZENDEIROS DO AJARANI É PRIORIDADE PARA O POVO YANOMAMI


Escrito por admin on 23 Abril 2013.

Fonte: Hutukara - www.hutukara.org

 

A estrada: epidemias, exploração, desestruturação social. Morte dos Yanomami do Ajarani


Em 1973, durante o governo militar, dentro do “Plano de Integração Nacional” começou a ser construída a rodovia Perimetral Norte. Relatório da Funai1 aponta que na região chegaram 2000 homens e 800 máquinas pesadas. O primeiro impacto sentido pela população da foram as mortes causadas por epidemias. Os Yanomami não tinham resistência para muitas doenças trazidas pelos trabalhadores da estrada. Segundo o mesmo relatório da Funai:

“Considerando apenas a cifra de 102 habitantes até 1973, ano do início de construção da Perimetral, temos que, em dois anos, a população decresceu em pouco mais de 40%. A diminuição seria ainda mais brutal considerando a estimativa de Migliazza, de 400, o que significaria uma queda de cerca de 84% da população.”

As mortes e convivência constante com 2000 trabalhadores levaram os Yanomami da região a vivenciarem uma série de dificuldades. Segundo o mesmo relatório da Funai:

“Além das epidemias que grassavam (vide anexo 23), o contato desordenado trouxera a mendicância, a prostituição feminina e, com esta última, a ocorrência de doenças venéreas.”

A partir desse contato catastrófico com os não-indígenas, um processo de desestruturação social teve início entre as comunidades da região. A morte de grande parte das pessoas que ali viviam tem como consequência imediata a impossibilidade da reprodução cultural dos Yanomami da região.

 

 

A desestruturação social que teve início na década de 70 persiste até os dias de hoje. A Hutukara Associação Yanomami e seus apoiadores vêm chamando a atenção do Governo Brasileiro para esse fato, desde a época da demarcação da TI Yanomami. E no entanto nada de efetivo foi feito, nesses 21 anos de homologação da TI Yanomami, para mitigar essa situação de desestruturação social. NADA. Em 2012, pelo menos 3 Yanomami, provavelmente alcoolizados, morreram atropelados na BR-174: vítimas da omissão do governo diante de tal situação. Existem inquéritos no Ministério Público para a investigação de trabalho escravo dos indígenas em fazendas da região.


Quando o governo se omite diante de fatos como esses, causados por ações próprias, e não faz nada de efetivo para mitigar a situação, ele é responsável pelas consequências que os Yanomami da região vêm sofrendo durante os últimos 40 anos, desde o início da construção da Perimetral Norte. E não ter efetividade na retirada dos fazendeiros, ato administrativo da Funai, é no mínimo um desrespeito aos direitos dos Yanomami, aos direitos humanos.

1 Funai, 1999. LAUDO ANTROPOLÓGICO REQUISITADO PELA JUSTIÇA FEDERAL - SEÇÃO DE RORAIMA. Nádia Farage.


Situação dos ocupantes não indígenas na região do Ajarani.


Em 21 anos de ocupação da região do Ajarani após a homologação da TI Yanomami, os fazendeiros que ali estão acumularam terras e desmataram ilegalmente, trazendo danos para os Yanomami e para o meio-ambiente.
Além das áreas que ocupam por meio de título expedido pelo INCRA, alguns ocupantes adquiriram as áreas de outros ocupantes, aumentando a área de desmatamento sobre elas e ainda invadiram novas áreas na TI Yanomami. Causaram danos ambientais que precisam ser auferidos pelo órgão competente. O Ministério Público Federal solicitou ao IBAMA que faça um levantamento na região.


A permanência destes ocupantes tem causado uma série de danos aos Yanomami, pois os mesmos estão impedidos de usar a TI Yanomami e seus recursos naturais onde eles exercem a suas atividades e impedindo a Funai de estabelecer a fiscalização e o monitoramento nesta área de enorme pressão sobre os Yanomami.


A Funai, em 2010, por meio de Comissão que avaliou as ocupações e determinou quais as benfeitorias originárias de ocupação de boa-fé devem ser indenizadas e quais benfeitorias derivam de ocupação de má-fé e não podem legalmente ser indenizadas (Resolução No. 218, de 19 de outubro de 2010, publicada no Diário Oficial da União - 202 - 21/10/2010 - Seção 1) . Em outubro de 2012, dois anos depois, a Funai impetrou ação de consignação para pagar os ocupantes pelas benfeitorias que foram consideradas de boa-fé e por razões que protelam a saída destes ocupantes há tanto tempo, apenas conseguiu efetivamente realizar o depósito do valor das benfeitorias que foram consideradas de boa fé, em abril deste ano.


Pressões crescentes na região do Ajarani


Em 2012 a HAY, em parceria com a Funai, realizou uma expedição de fiscalização pela região do Ajarani. Foram constatados diversos pontos de invasão na TI Yanomami, e um aumento constante da pressão vindas dos Projetos de Assentamento da região. A situação mais preocupante foi vistoriada em nova expedição realizada HAY e pela Funai, nos dias 10 e 11 do presente ano. Uma vicinal que está sendo aberta ilegalmente vem crescendo em direção à TI Yanomami, e segundo os ocupantes de lá, o objetivo é que ela alcance a perimetral norte, no Km 44, altura da Fazenda de Ermilo Paludo. A concretização dessa junção das estradas nos preocupa muito, pois com certeza trará um aumento muito grande no fluxo de pessoas e veículos pela perimetral norte, aumentando a insegurança das comunidades indígenas do local. Aprofundando a tragédia do povo Yanomami naquela região. Abaixo o mapa.



2_22_04_2013

O Futuro da região
A Hutukara Associação Yanomami pede às autoridades competentes que procedam imediatamente à retirada dos ocupantes não-indígenas da Terra Indígena Yanomami.


A Hutukara tem um plano para a região do Ajarani: construir um Centro de Formação Yanomami. Transformar a região que está sendo palco de uma das piores tragédias do contato dos Yanomami em um lugar onde o conhecimento Yanomami pode circular e ter um espaço de diálogo com a sociedade envolvente. Trazer o conhecimento Yanomami de volta para esse lugar de onde ele foi quase extinto, pois ali quase foram extintos os próprios Yanomami.


Boa Vista – RR, 18 de abril de 2013.
DAVI KOPENAWA YANOMAMI
PRESIDENTE - HAY

 

 

 

Foto: Francisca Espinosa - Catrimani
Foto: Francisca Espinosa - Catrimani

MPF quer que Funai realize imediatamente a desintrusão de fazendeiros

Escrito por admin on 26 Março 2013.

Fonte: http://www.folhabv.com.br/noticia.php?id=148785

 

O Ministério Público Federal em Roraima recomendou ao administrador regional da Fundação Nacional do Índio em Roraima, André Vasconcelos, e ao diretor de proteção territorial da Funai, Aluísio Ladeira Azanha, para que procedam à imediata confecção de plano de retirada de ocupantes e bens das fazendas localizadas na região do Ajarani, dentro da Terra Indígena Yanomami. Além disso, o MPF quer que o órgão proceda ao cumprimento do plano de retirada, ultimando a desintrusão da área.

De acordo com o procurador da República Fernando Machiavelli Pacheco, autor da recomendação, a Funai já realizou vistorias de avaliação na região, encerrando os trabalhos relativos à Sindicância em relação às áreas invadidas, além de já ter promovido as ações de consignação em pagamento para a indenização das benfeitorias de boa fé construídas nas respectivas fazendas, no valor de quase 1,5 milhão de reais.

Conforme o MPF cabe à Funai promover a proteção territorial e a regularização fundiária das terras indígenas, adotando medidas administrativas para tanto, no exercício de seu poder de polícia. As Fazendas onde deverão ser feitas as retiradas são Nova Esperança, São Raimundo, Gaúcha, Lajeado, Nossa Senhora de Aparecida, Repartimento, Retiro do Repartimento, Três Barras, Pouso Alegre, Miguelão, Paludo, Dois Irmãos, Duas Flechas, Rancho Fundo, Boa Sorte e São Francisco todas situadas em áreas dentro da Terra Indígena Yanomami, na região do Ajarani.

O MPF concedeu o prazo de 10 dias para que a Funai apresente o plano de retirada administrativa de ocupantes e bens das Fazendas e o prazo de 30 dias para dar cumprimento ao plano de desintrusão da área.

Ibama - Na sexta-feira, 22 de março, o MPF encaminhou recomendação ao Ibama para que o órgão iniciasse a fiscalização e vistoria in loco das fazendas situadas nessa região com o objetivo de possibilitar a autuação de todos os crimes ambientais e infrações administrativas constatadas, em virtude das invasões ilegais, bem como, aferição do dano ambiental na área fiscalizada, para posterior reparação pelos responsáveis.

O objetivo da recomendação enviada ao Ibama, é evitar que os responsáveis pela invasão da Terra Indígena Yanomami, sejam retirados da área, antes da identificação dos crimes ambientais cometidos dentro da região. “A Funai está na iminência de adotar medidas administrativas para a devida retirada dos invasores da Terra Indígena Yanomami, o que impõe a pronta identificação dos responsáveis pelos ilícitos ambientais e o respectivo dano”, alertou Fernando Pacheco.

 

 

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Homenagem da Homologação da Terra Indigena Raposa Serra do Sol

Em memória e homenagem aos oito anos de homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ano considerado pelos indígenas desde 2005 e reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009, a Comissão de lideranças indígenas de Roraima participou na tarde de hoje(15), de uma coletiva de imprensa, na sala de reuniões da Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República. Fizeram parte do momento, as lideranças indígenas Júlio José de Sousa, Nélio Galé, Ivaldo André, Jaci José de Souza e a Assessora Jurídica do CIR, Joênia Batista de Carvalho. Durante a coletiva foram apresentados pontos relevantes como histórico de luta, sustentabilidade, direitos e humanos e impunidade, conquistas, desenvolvimento, desafios e perspectiva dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol. 

 


Por Mayra Wapichana / CIR e Prog. A VOZ DOS POVOS INDIGENAS - FM Monte Roraima

 

 

Foto: Francisca Espinosa - Maturuca
Foto: Francisca Espinosa - Maturuca

 

 

Deputados visitam reserva Raposa Serra do Sol 

12/04/2013 Sexta-Feira, Dia 12 de Abril de 2013 as 12 

Ambientalistas defendem a reserva indígena, mas agropecuaristas reclamam que a demarcação prejudica a economia de Roraima 
Leonardo do Prado/Procuradoria-Geral da Rep. 
 Descrição: Comissão de Integração Nacional reunida com o procurador-geral

Parlamentares reunidos com o procurador-geral (C): proteção de indígenas é prerrogativa do Ministério Público. 
A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia visitam Roraima neste domingo (14) para conhecer a realidade de agricultores e índios da região. Na segunda-feira (15) de manhã, os parlamentares sobrevoam a reserva indígena Raposa Serra do Sol. Era uma área altamente produtiva [a área destinada à reserva indígena]. Queremos ver como ficou agora, se está produzindo, se atingiu o objetivo ou se simplesmente retirou a área de produtores e também não resolveu o problema de índio nenhum”, explicou o presidente da comissão, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Histórico A área da reserva Raposa Serra do Sol é disputada por índios e produtores de arroz. Em 2008, o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva homologou a demarcação contínua da reserva. O governo de Roraima defende a demarcação em áreas descontínuas (ilhas), mas, em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a demarcação contínua. A medida, porém, ainda depende da publicação do acórdão. Ontem, parlamentares das comissões de Integração Nacional; da Agricultura e da Frente da Agropecuária pediram ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que intervenha junto ao STF. “Vou falar com o presidente [do STF, Joaquim Barbosa] para apressar a publicação”, prometeu Gurgel. O processo está sem ministro relator desde que o ex-presidente Cezar Peluso se aposentou da corte, em agosto de 2012. Outras reservas Depois que o acórdão for publicado, a Portaria 303/12 da Advocacia-Geral da União (AGU) poderá entrar em vigor. A norma, suspensa pela própria AGU até a decisão final do STF, estende para todos os processos de demarcação de terras indígenas as 19 condicionantes adotadas no reconhecimento da Raposa Serra do Sol. 

A portaria autoriza ainda o governo a construir rodovias, hidrelétricas, linhas de transmissão de energia e instalações militares dentro das aldeias sem autorização das comunidades indígenas. O texto também veta a ampliação de terras demarcadas. 
Alexandra Martins 
 Descrição: Em dezembro do ano passado, lideranças indígenas protestaram contra a PEC que transfere do Executivo para o Congresso a responsabilidade de reconhecer terras indígenas (PEC 215/00).

Dezembro de 2012: na Câmara, índios protestam contra a PEC 215. 
Competência para dermarcar Na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu apresentar aos deputados, em um mês, um decreto para transferir a palavra final sobre demarcação ao ministério e não mais à Funai. Atualmente, a demarcação depende de laudo antropológico feito por técnicos da Funai e da manifestação dos envolvidos - estados, municípios, produtores e índios –, mas a palavra final está a cargo do Executivo. Na Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição 215/00, transfere do Executivo para o Congresso Nacional a atribuição de demarcar terras indígenas. Lideranças indígenas são contra essa proposta. Segundo eles, a PEC pode impedir a demarcação de cerca de 700 territórios indígenas, incluindo processos já em andamento. 
Comitiva O grupo que visitará a reserva indígena em Roraima é integrado pelos seguintes deputados: - Jerônimo Goergen - Marcelo Castro (PMDB-PI) - Marcio Junqueira (DEM-RR) - Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR) e - Raul Lima (PSD-RR). 
Íntegra da proposta: 
. PEC-215/2000 

 Fonte: Agência Câmara Notícias 

 

 

 

 
Comissão de lideranças indígenas de Roraima
Comissão de lideranças indígenas de Roraima vão à Brasília buscar diálogo com orgãos do Governo Federal,para apresentar as demandas e reivindicações encaminhadas na 42ªAssembleia Geral dos Povos Indígenas,realizada em março no Centro Regional Lago Caracaranã, Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A programação ocorre no período de 15 a 19 de abril. 
Entre as questões a serem encaminhadas está o Estatuto dos Povos Indígenas, que há tempos não se tem nenhum resultado, regulamentação da Convenção 169 da OIT, subsídio importante que trata-se do Direito de consulta aos povos indígenas sob qualquer projeto/impreendimento que venham ser implantado nas Terras Indígenas, as 19 Condicionantes imposta no Decreto Homologatório da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, além do manifesto contra a PEC 215, Portaria 303 da AGU, Projeto de Mineração(PL n.º 1610/1996), Construção de Hidreletrica no Rio Cotingo- TI Raposa Serra do Sol e outros assuntos pautados na agenda da Comissão. 
Lideranças indígenas renomadas do Conselho Indígena de Roraima como Jacir José de Sousa, Macuxi, Clóvis Ambrósio, Wapichana, Nelino Galé, Macuxi, Jerônimo, Wapichana, Simeão Messias também fazem parte da Comissão. Além da participação de mulheres indígenas e demais lideranças de diversas comunidades indígenas.
O momento também é de reconhecimento pelos avanços políticos, sociais e culturais dos Povos Indígenas, que entendem que dialogar de forma pacífica com o Estado Brasileiro, seja um dos caminhos para futuras conquistas não só para os povos de Roraima, mas do Brasil.

 

Por Mayra Wapichana / CIR e Prog. A VOZ DOS POVOS INDIGENAS - FM Monte Roraima

 

 

 

 

Foto: Mayra Wapichana
Foto: Mayra Wapichana

 

 

Projeto Mandala: Um demonstrativo de produção planejada e diferenciada


Em contradição ao discurso político de que a homologação em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol é o maior entrave para o desenvolvimento do Estado de Roraima no que diz respeito à produção agrícola, os estudantes do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), antiga Missão do Surumu buscam mostrar, por meio do projeto de implantação do Sistema de Plantação em Mandala, que tal discurso não tem fundamento e que é possível contribuir com o desenvolvimento do Estado de forma sustentável, planejada, preservando o meio ambiente e respeitando os conhecimentos e saberes tradicionais dos povos indígenas.

 

Um demonstrativo do Projeto Mandala foi implantado no Centro Regional Lago do Caracaranã, região da Raposa, município de Normandia e esteve aberto a visitações durante a 42ª Assembleia dos Povos Indígenas de Roraima, realizada no período de 11 a 15 de março pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). No encerramento do evento todos os tuxauas e lideranças visitaram o local. 
A implantação iniciada em fevereiro deste ano contou com a participação de cinco estudantes do Centro Indígena de Formação, das áreas de agropecuária, gestão e manejo ambiental, que realizaram a atividade do plantio de algumas mudas num período de apenas um mês. Nesse campo, foram plantadas 50 espécies entre hortaliças, frutíferas, madeiráveis e plantas medicinais.


O campo destinado ao projeto tem uma área de 26 m², com 44 canteiros e 9 metros de comprimento, além de uma maloca construída para abrigar animais caprinos, suínos e outros de pequeno porte. Na espécie de hortaliças foram plantados: tomate, alface, cebola, maxixe, batata e macaxeira; na medicina tradicional: anador, babosa, gengibre, hortelã e boldo; frutíferas: laranja, abacaxi, graviola e melancia; e madeiras: buriti, açaí e cedro.


O líder indígena Jacir José de Sousa, Macuxi da comunidade indígena Maturuca, visitou o local do projeto e manifestou satisfação em relação à iniciativa dos alunos em apresentar resultados da formação adquirida no Centro Indígena, servindo como exemplo a outras terras indígenas, assim como mostrar ao Estado às possibilidades de uma agricultura diferenciada que venha a atender as necessidades e realidades das comunidades indígenas.


Além da perspectiva de mostrar a potencialidade de produção, os estudantes e lideranças indígenas também buscam dar visibilidade aos resultados da formação obtida no Centro Indígena nos diversos campos voltados à sustentabilidade e autonomia, bem como o fortalecimento social, político e cultural dos povos indígenas.


O Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, localizado na comunidade indígena Barro, região Surumu, em 2005 foi alvo de destruição e ameaças cometidas por invasores devido à homologação em área contínua da TI Raposa Serra do Sol, e com o lema “queimaram e destruíram nossas casas, mas não destruíram nossos sonhos”, os jovens estudantes, lideranças e parceiros da causa indígena permanecem unidos e fortalecidos na luta em defesa dos direitos dos povos indígenas, uma luta que dura mais de 40 anos.


Por Mayra Wapichana / CIR e Prog. A VOZ DOS POVOS INDIGENAS - FM Monte Roraima

 

 

Foto: Francisca Espinosa - Boa Vista
Foto: Francisca Espinosa - Boa Vista

La lucha continua

 

Justicia ya!!! Basta de impunidad

 

 

El dia miercoles 16 del presente mes, se dio comienzo a la reabertura del caso del homicidio de Aldo da Silva Mota, lideranza indigena de la etnia Macuxi, perteciente a la hoy homologada Tierra Indigena Raposa Serra do Sol (2005), en el estado de Roraima, norte de Brasil. Comitivas de indigenas, viajaron desde sus comunidades para hacerse presente en el jucio por la muerte de Aldo, encabezados por el CIR (Consejo Indigenista de Roraima), asi tambíen se hicieron presentes parientes Yanomani, representantes de CIMI (consejo Indigenista Misonero), Isa (Instituto Sociambiental), indigenas de la ciudad, etc.

 

La caminada comenzo el dia miercoles desde el Tribunal de Justicia Federal hasta el Tribunal de Justicia del Estado de Roraima, todos los Macuxi danzando unidos Parixara y otras danzas ceremoniales, con un solo fin... pedir Justicia. Aquella justicia muchas veces negada a lo largo de la historia.... “Justicia, Justicia, Justicia...Carcel para los criminales.... Porqué tanta demora... la muerte de nuestro hermano, nuestro pueblo no  olvida.... Con estas palabras recordabamos a Aldo, y con la unica arma con la que contamos frente a las leyes del hombre blanco... nuestra cultura, nuestra vestimenta, nuestra lengua... nuestra identidad.... Hace 9 años que el caso de Aldo esta sin rosolverse, por fin se daba la oportunidad de tener justicia y senteciar a los culpables de este crimen.

 

El dia 9 de enero del año 2003 fue encontrado el cuerpo muerto de Aldo da Silva Mota, de 52 años de edad. Los restos estaban enterrados en una fosa superficial, en un camino próximo a la hacienda Retiro, propiedad de Francisco de Olivera, conocido hacendado de la zona. Las comunidades indigenas informaron a las autoridades de la desaparición de Aldo, luego de una insesante busqueda fue hallado su cuerpo, después de 7 dias de su desaparición, con un avanzado estado de desconposición. El instituto de Medicina Legal de Roraima determino que la muerte fue por causa desconocida. El CIR y los familiares solicitaron una segunda autopsia, en la cual el cuerpo fue trasladado a Brasilia, revelando que Aldo fue asesinado con un arma explosiva. En el momento de su muerte, él se encontraba con las manos hacia arriba, lo cual se evidencia por la posición de su cuerpo y la trayectora de la bala. Tambien se logro determimar que la data de fallecimiento fue probablemente el dia 2 de enero, mismo dia  de su desaparición.

 

El hijo de Aldo relata que su padre recibio un recado de uno de los peones de la hacienda Retiro, el día 1ero, para ir a buscar un animal de su ganado que se encontraba pasteando en la hacienda.  Los peones Robson Belo Gomes y Elisel Samuel Martin, así como el hacendero Francisco Oliveira, conocido como Xico Tripa, fueron los principales sospechosos del homicidio. Los trabajadores se encontraban en la zona el dia de la desaparición de Aldo, y se cuenta un episodio muy extraño entre Robson y los comuneros, en el cual este disparo un tiro al aire para amedrentar a los indigenas.Comuneros de Lage recuerdan diferentes episodios donde fueron amenazados indirectamente por el hacendero y sus trabajadores. Robson se encuentra en prisión desde hace 4 años por asalto a mano armanda y tendra que cumplir una condena de 18 años.

 

Recordemos que la tierra Raposa Serra Do Sol, ha sido un insesante centro de conflictos entre comunidades indigenas y hacenderos, varias lideranzas han sido asesinadas. En el año 2005 fue quemado el Centro de Formación Indigena, lo cual se sumaria a los acontecimientos fuertes, que han ido marcando la vida de los pobladores.

Para la fecha de la muerte de Aldo aun no habian sido homologadas estas tierras, aun que sí, se habia efectuado su demarcación por parte de la FUNAI (Fundación Nacional del Indio), en la cual los territorios de la hacienda Retiro habian quedado en  plena Tierra Indigena.

 

El caso de Aldo fue llevado por el Juez Federal Helder Girão Barreto, por el abogado Dr. Angelo Goulart; Procurador del Ministerio Publico Federal, por tres abogados de la Defensa y por un Jurado Popular conformado por 5 personas de la ciudad de Boa Vista. Apesar de las pruebas, que no fueron favorables en ningun caso para los acusados y los 9 años de espera, no fueron suficientes para el jurado,  la sentencia fue absolución de los cargos para todos los imputados. Confirmando una vez más que la justicia, le pertenece a unos pocos y que los pueblos indigenas, seguimos siendo injusticiados.

 

Todos los que estamos en esta causa sabemos que el estado de Roraima, es conocido en general como un estado anti-indigenista, y que las batallas ganadas por los pueblos originarios en esta zona, son la respuesta de una lucha muy fuerte, de dignidad y resistencia que les pertenece por completo. Debo confesar que sali de aquel auditorio con el corazón apretado.... pensado en la familia de Aldo... pensando en todo los presentes que veiamos tanta injusticia, rodeados de un contingente policial de cerca de 25 efectivos, que cuidaban la integridad de personas no tan integras, frente a un pueblo indefenso que guardo silencio ante tan penosa resolución.... al cruzar la calle a las afueras del tribunal de justicia escuche decir a los indigenas, “Sin caer compañeros , la lucha continua, la lucha continua...” los vi irse con las caras pintadas de rojo, las plumas pintadas de los colores del paisaje y con la dignidad que caracteriza a nuestras razas...pensando apesar de la tristeza y la rabia contenida... la lucha continua.... hasta el ultimo indio...

 

 

Por Francisca Espinosa

Equipo Itinerante

Núcleo Roraima / Boa Vista

 

 

 

Foto: Arquivo Equipe Itinerante
Foto: Arquivo Equipe Itinerante

A loucura de Deus num profeta da Amazônia!

Pe. Cláudio Perani sj e Missão da Equipe Itinerante1

 

“Um pé dentro e um pé fora...

 

”Homenagem ao 4º aniversário da itinerância do companheiro CLÁUDIO para a casa do Pai.

 

Introdução

Dois anos depois da Itinerância Definitiva e Plena do Pe. Cláudio Perani sj (+8/8/2008), Dom Moacyr Grechi, Arcebispo emérito de Porto Velho (RO, Amazônia), comentou com carinho e saudade: “Quanta falta nos faz o amigo Cláudio! Ele nos ajudava a alçar a vista e alargar a mirada mais longe, para discernir nossa missão na Amazônia!”.Cláudio foi o primeiro superior do Distrito dos Jesuítas da Amazônia (DIA)2, criado em 1995 para discernir a missão amazônica “desde dentro”, a partir da Amazônia e do caminhar respeitoso, próximo, paciente e amoroso junto a seus povos, em diálogo com eles. E não mais pensar, discernir e decidir a missão na Amazônia “desde fora”, a partir do litoral ou centro-sul do Brasil, dos grandes centros de decisão ou poderosas corporações dos países hegemônicos. Assim se fez historicamente ao longo do período colonial e até hoje se reproduz em modelos de desenvolvimento fortemente agressivos, marcos legais que ferem a justiça socioambiental, políticas públicas que facilitam a depredação da região e uma violenta agressão aos direitos humanos e cósmicos de seus povos.Para discernir a missão na Amazônia, “desde dentro”, com seus povos e aliados, Cláudio insistia: “Andem pela amazônica e escutem atentamente o que o povo fala... Participem da vida cotidiana do povo... Anotem e registrem tudo cuidadosamente... Não se preocupem com os resultados; o Espírito irá mostrando o caminho... Coragem! Comecem por onde possam...”1 Equipe Itinerante (EI): Nasceu inspirado pelo Pe. Cláudio Perani sj em 1998 como uma iniciativa inicial dos Jesuítas da Amazônia. Porém, já neste primeiro ano a experiência foi integrada pela Congregação de Nossa Senhora (CSA) - Intercongregacionalidade.2 Em 2005 o Distrito dos Jesuítas da Amazônia (DIA) passou a Região Dependente dos Jesuítas da Amazônia Brasileira (BAM).2Recentemente a Conferência d@s Religios@s do Brasil (CRB) realizou um importante seminário nacional com o título: “Vida Religiosa: A loucura que Deus escolheu para confundir o mundo” (1 Cor 1,27) 3. Participaram mais de 400 provinciais. Tod@s com o desejo de recuperar essa loucura que Deus escolheu, em nossa vida pessoal e congregacional, na vida de nossas instituições e da própria Igreja. Como recuperar essa loucura que Deus semeou n@s noss@s fundador@s, mártires, profetas e profetizas de todos os tempos? Cláudio foi um desses loucos profetas que Deus escolheu para confundir a lógica do mundo, muitas vezes presente na nossa prática cotidiana, na vida pessoal e de nossas instituições. Ele foi um profeta enlouquecido pela busca apaixonada do Reino e sua Justiça (Mt 6,22); acolheu e semeou o dom da “loucura de Deus” assumindo essa tarefa nas periferias da Pan-Amazônia, atravessando suas fronteiras, geográficas e simbólicas, nos dois sentidos.Para Cláudio, o missionário tem sempre “um pé dentro e um pé fora”. A missão na Amazônia, e toda missão na perspectiva do Reino, é encarnada e inculturada a partir de seus povos. Toda missão se amassa no bater dos pés no chão sagrado das estradas da vida, com a poeira do caminho e a benção da chuva do céu; nas trilhas da floresta e nos meandros e praias dos rios; nas itinerâncias internas e externas; na partilha do cotidiano da vida com os povos da Amazônia, com @s pobres, excluíd@s e diferentes; no diálogo fraterno e discernimento conjunto com @s de “dentro”; e em diálogo respeitoso e recíproco com @s aliad@s de “fora”.Perani insistia que a EI deve ter “um pé dentro e um pé fora”: um pé dentro da gente e um pé fora de nós mesmos; um pé nos membros da EI e um pé fora deles, nos outros; um pé na própria cultura e um pé nas outras culturas; um pé na própria experiência religiosa e espiritual, e um pé nas outras experiências religiosas e espirituais; um pé nas nossas congregações e instituições e um pé nas instituições e congregações afins; um pé na inserção e um pé na itinerância; um pé neste lado da fronteira e um pé no outro lado; um pé na margem direita e um pé na esquerda do rio; um pé nos espaços da igreja e outro pé em outros espaços não eclesiais; etc. Sempre um pé dentro e um pé fora...I. Três perguntas fundamentais no discernimento da Missão da EI na Amazôniaa) Com quem Deus nos convida a comprometer nossa vida em missão na Amazônia?Nas andanças pela Amazônia escutando seus povos, quatro rostos concretos surgiram: indígenas, ribeirinh@s e as pessoas das periferias urbanas empurradas do interior para as margens das cidades amazônicas; e vinculado intimamente a esses rostos e a seus processos de exclusão está o rosto da Mãe-Terra violentada e depredada na Amazônia. Estes quatro rostos estão intimamente inter-relacionados. Os ribeirinh@s são fruto do encontro, muitas vezes violento, entre viajantes, comerciantes, aventureiros, militares, “soldados da3 Itaici (SP), Fevereiro de 2012, http://crbnacional.org.br/homologacao/2012/02/23/a-loucura-de-deus/3borracha” nordestinos e mulheres indígenas. Todos estes povos tradicionais da Amazônia mantêm uma relação de reciprocidade (não-depredadora) com a Mãe-Terra. E hoje 70% da população amazônica se concentram nas grandes cidades da região. A lógica é perversa: esvaziar o interior da Amazônia empurrando o povo para as periferias das grandes cidades para poder entregá-lo às grandes empresas e corporações para que possam explorar os recursos naturais sem conflito social. Contra esta lógica perversa há que energicamente opor-se. Por tanto, é urgente ajudar a fixar o povo na terra, em seus territórios, com políticas públicas dignas, em favor da vida. Para isso nossa vida em missão, nossas comunidades e obras, nossas instituições devem interiorizar-se, ruralizar-se, “paganizar-se” (voltar para os pagos, zona rural). Sair dos centros urbanos para as margens e periferias das áreas rurais. Sair de Jerusalém para a Galiléia dos gentis.A pergunta inicial para o discernimento da missão não foi o que vamos fazer na Amazônia. A primeira pergunta foi: com quem Deus nos convida a comprometer nossa vida em missão na Amazônia? A primeira atitude foi andar pela Amazônia e escutar seus povos, descer ao encontro do povo e escutá-lo, como o próprio Deus do Êxodo fez (Ex 2,23-25). A partir dos gritos da Amazônia e junto com seus povos vamos discernir e caminhar no êxodo de libertação rumo à Terra sem Males, Yvy Marane´y (em guarani).b) Onde estão esses rostos, as feridas mais abertas e a vida mais ameaçada?Esses rostos se encontram além das nossas fronteiras (“um pé fora”) e nas fronteiras geográficas e simbólicas da Amazônia, aonde os poderes constituídos dos estados-nação não chegam ou chegam ineficiente, deixando a porta aberta às máfias: tráfico humano, narcotráfico, exploração de recursos naturais, etc. Por isso, o serviço que a EI presta é inter-fronteiriço, atravessando as fronteiras geográficas e simbólicas da Amazônia nos dois sentidos.c) Como chegar às fronteiras geográficas e simbólicas, onde as feridas estão mais abertas e a vida mais ameaçada?Sobre esta terceira pergunta, três intuições fundamentais surgiram no discernimento: Itinerância, Inserção e Inter-Institucionalidade.II. Principais Componentes ou Dimensões de Serviço do Projeto da Equipe ItineranteAo longo destes 14 anos de caminhada (1998-2012), foram cristalizando as intuições proféticas do Cláudio nos seguintes elementos de identidade da EI.Por um lado, foram discernidos e escolhidos quatro rostos preferenciais dentro do contexto amazônico atual:a) Indígenas; b) Ribeirinhos; c) Povo Marginalizado nas e das periferias urbanas; d) Rosto da Mãe-Terra explorada e depredada. Nestes rostos, três deles sujeitos históricos, fixamos nossos olhares e aguçamos nossos ouvidos para escutar e sentir seus clamores, sonhos e esperanças, e para caminhar solidariamente a seu lado, na complexa travessia histórica que vive hoje a Amazônia no contexto global. É importante ter em mente que esses quatro rostos estão profundamente inter-relacionados entre si.4Por outro lado, ao longo destes anos, foram perfilando-se melhor as quatro componentes principais ou dimensões de serviço que configuram hoje o projeto da EI e sua missão na Amazônia junto a seus povos: a) Itinerância; b) Inserção; c) Inter-Institucionalidade; d) Inter-Fronteiriço.1. Itinerância:“Andem pela Amazônia e escutem o que o povo fala”. “Um pé dentro (itinerância interior) e um pé fora (itinerância geográfica)”.Ir ao encontro do povo; não ficar esperando a que o povo venha... Caminhar com ele lado a lado, nem na frente nem atrás.Itinerância fala de caminho e caminhada. E caminhar é o processo de passagem de um estado de equilíbrio para outro de desequilíbrio, para logo voltar a reequilibrar-se, e assim sucessivamente. Só podemos avançar se estamos dispostos a desequilibrar-nos e reequilibrar-nos sucessivamente. Quem quer estar continuamente equilibrado na vida, com os dois pés fixos, não poderá avançar e crescer nela. Deus continuamente nos convida a sair da “terra própria” e itinerar rumo à “terra prometida” (Abraão, Gn 12,1). O próprio Deus-Trindade se “desequilibrou” enviando seu Filho Único, encarnando-se em Jesus filho de Maria... E o desequilíbrio divino tem a ver com o amor, com a paixão e compaixão, com a radicalidade, com a loucura-amorosa de Deus: “Pois Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho Único, para que todo aquele que nEle acredite não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Também, por loucura de amor, Ele nos convida a desequilibrar-nos juntos para amar-servir-cuidar com radicalidade, compaixão e paixão, @s ferid@s e crucificad@s deste mundo.Deus sempre nos convida a itinerar: a sair do conhecido ao desconhecido, do seguro ao inseguro, do estável ao instável, do confortável ao inconfortável, do equilíbrio acomodado para o desequilíbrio desacomodado... Só nesse contínuo sair e itinerar podemos caminhar nas diferentes estradas, trilhas, rios e selvas da vida, no compromisso radical com seu Reino de Vida Abundante (Jo 10,10) para tod@s e para o amanhã, não só para uns pouc@s e para o hoje.O teólogo José Antonio Pagola, no livro “Jesus, Aproximação histórica”, insiste em que Jesus foi um “Profeta Itinerante”4: ”A vida itinerante de Jesus no meio deles [d@s pobres] é símbolo vivo de sua liberdade e de sua fé no Reino de Deus. Ele não vive de um trabalho remunerado; não possui casa nem terra alguma; não precisa responder diante de nenhum arrecadador; não leva consigo moeda alguma com a imagem de César. Abandonou a segurança do sistema para `entrar´ confiadamente no Reino de Deus. Por outro lado, sua vida itinerante a serviço dos pobres deixa claro que o Reino de Deus não tem um centro de poder a partir do qual deva ser controlado. Não é como o Império, (...), nem como a religião judaica, vigiada a partir do templo de Jerusalém pelas elites sacerdotais. O Reino de Deus vai se gestando ali onde ocorrem coisas boas para os pobres.”O serviço itinerante não é independente ou isolado dos outros serviços importantes e necessários para o bom desenvolvimento da missão. A itinerância é compreendida como um serviço complementário aos outros mais institucionais e inseridos da missão. Cada um destes contribui com sua especificidade à missão do Corpo que tem Cristo por cabeça (cf. 1Cor 12).4 Pagola, José Antonio: “Jesus, Aproximação Histórica”, Editora Vozes, Petrópolis, 2011. Pag. 109.5a) O serviço institucional contribui com aspetos mais vinculados à estabilidade e continuidade da missão, nos processos de transformação de estruturas e construção dos valores do Reino e sua Justiça social e ambiental.b) O serviço de inserção é sinal da proximidade carinhosa de Deus e de sua encarnação amorosa no meio de seus filh@s predilet@s, @s pobres e excluíd@s. A inserção é uma forma concreta de responder ao chamado de Deus que nos convida a encarnar-nos com Ele onde as feridas estão mais abertas e a vida mais ameaçada; a fazer-nos próxim@s d@s jogad@s à beira da estrada (Lc 10,25-37); a carregar Sua Cruz com @s crucificad@s da terra, para com Ele e com el@s resuscitar à vida plena.c) O serviço itinerante contribui com os processos de conectividade e inclusão. Conectividade entre os distintos “membros do corpo” (1 Cor 12). A itinerância é como o sangue que percorre todos os membros do corpo. Serviço de inter-relação entre as diferentes instituições e inserções. Por outro lado, a itinerânciaajuda na inclusão daquelas pessoas e realidades que ficam de fora dos serviços mais institucionais e aonde não chegam os mais fixos e inseridos. Ela permite incluir @s que estão “fora”, do outro lado das fronteiras, geográficas e simbólicas, que ainda não estão ainda incluídos. A itinerância é o que propõe a parábola da “ovelha perdida” (Lc, 15,3-7): “deixou as noventa e nove e foi atrás da ovelha perdida”. Parábola que em nossos dias teríamos que reinterpretar: “deixou uma que estava dentro e foi atrás das noventa e nove que estavam fora”. A itinerância é um convite a ter “um pé dentro e um pé fora”, aonde hámaior necessidade...Esses três serviços à missão estão profundamente articulados entre si a favor da vida, como “membros de um mesmo corpo que tem Cristo por cabeça” (1 Cor 12):a) A partir da Teologia Trinitária iluminamos estas três dimensões do serviço à missão: Deus Pai – Serviço Institucional; Deus Filho – Serviço de Inserção (princípio encarnatório); Deus Espírito Santo – Serviço de Itinerância. O mistério da Trindade nos convida a contemplar as “Três Pessoas Divinas” em “Um só Deus”; unidade na diversidade, não na uniformidade. Assim também compreendemos em estreita relação complementária essas três dimensões de serviço à missão.b) A partir da Teologia Batismal todo cristão pelo batismo é chamado a ser Sacerdote-Profeta-Rei. O serviço do Rei, organização e governo, é mais identificado com a dimensão institucional da missão. O serviço do Sacerdote – segundo o sacerdócio de Cristo na carta aos Hebreus – é trazer presente o Amor Encarnado, salvífico e libertador de Deus no meio dos pobres, onde as feridas estão mais abertas e a vida mais ameaçada, junto aos crucificados deste mundo; esta é a dimensão missionária da inserção no meio dos mais pobres e excluídos. O serviço do Profeta é a denúncia de tudo aquilo que mata a vida e o anúncio do projeto de Vida Abundante que Deus quer para tod@s; o profeta busca a inclusão dos excluídos deste mundo. Esta dimensão de inclusão, anúncio e denúncia, de conectividade é realizada pela itinerância.6Também esses três serviços (sacerdotal, profético e real) estão intimamente relacionados e são complementários na missão do Reino.c) A partir da Teologia da Vida Religiosa, os três votos se identificam respectivamente com estas três dimensões de serviço à missão. O voto de obediência com a dimensão mais institucional; o voto de pobreza com a dimensão mais inserida; e por fim, o voto de castidade com a dimensão de itinerância, ter um coração livre para irmanar, fazer-nos irmãos e irmãs todos os seres da Criação no projeto do Reinado do Deus da Vida. Também os três votos estão intimamente interligados e são complementários entre si.A leveza institucional para a missão tem muito a ver com o equilíbrio e a relação entre estas três dimensões de serviço missionário dentro de nossos corpos institucionais. Hoje em dia esta leveza para a missão é muito procurada por nossas congregações, instituições e também pela própria igreja amazônica: “A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia” (CNBB, Encontro de Manaus, 1997)5. Este foi o título do documento dos bispos dos regionais amazônicos da CNBB onde refletiram sobre a necessidade de uma igreja mais encarnada nas realidades amazônicas e com estruturas leves e móveis, igreja de tendas, tapiris6 e “acampamentos”.Se priorizarmos os serviços mais institucionais, destinando a maior parte dos recursos humanos, materiais e econômicos a eles – em prejuízo dos outros serviços mais inseridos e itinerantes –, não nos queixemos depois de que nossas congregações ou instituições sejam pesadas e as pessoas que nelas vivem e trabalham se sintam sobrecarregadas, sem vida e sem espírito. Estruturas pesadas geram pessoas pesadas; estruturas leves geram pessoas leves. A leveza institucional para a missão depende do equilíbrio e a relação entre os recursos humanos, econômicos e materiais destinados a cada um dos três serviços institucionais, inseridos e itinerantes.Itinerância Geográfica e Itinerância Interior. Não há itinerância geográfica sem itinerância interior. A itinerância verdadeira na travessia da vida tem estas duas dimensões inseparáveis: interior e exterior. Não se da uma verdadeira itinerância geográfica e exterior sem um processo profundo de itinerância simbólica e interior em distintos níveis: pessoal, grupal, institucional e interinstitucional. Quem não está disposto a viver esta itinerância interior, suas itinerâncias geográficas ficarão superficiais, num “turismo descomprometido”, que não provoca transformações profundas de conversão, nem nas próprias pessoas que itineram, nem nos sujeitos e nem nas realidades que encontram nas itinerâncias da vida.5 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regionais Amazônicos. Encontro de Manaus, 1997: “A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia” (Cf. Jo 1,14). O Pe. Cláudio Perani sj foi um dos assessores desse importante encontro.6 Tapiri: casa provisória na floresta.72. Inserção: “Participem da vida cotidiana do povo”. “Um pé em casa e um pé na casa do vizinho”; “Um pé na itinerância e um pé na inserção”.Inicialmente Itinerância e Inserção pareceriam conceitos contrapostos e excludentes: ou se vive inserido ou se vive itinerante... Juntar estes dois componentes parecia até impossível. Pois essa é outra sadia e criativa tensão que a EI assumiu nessa lógica dialética de “um pé dentro e um pé fora”. “Um pé na inserção e um pé na itinerância”. Sem renunciar ao serviço itinerante, a EI tenta viver dois níveis do serviço de inserção: Viver na Comunidade Itinerante (CI) inserida e prestar um serviço missionário itinerante também inserido, de comunidade em comunidade. Estes dois níveis de inserção respondem a essa intuição fundamental do Cláudio: “participem da vida cotidiana do povo”.Durante os dois primeiros anos da EI (1998-1999), os membros viviam nas comunidades institucionais e se encontravam para partilhar as viagens, refletir, rezar e discernir o projeto, e para preparar as novas itinerâncias e assessorias que faziam, em duplas ou trios, pelas diversas regiões do interior da Amazônia ou pelas periferias urbanas de algumas cidades (Manaus, Parintins, Maués, etc.). Nos primeiros anos de caminhada, foram discernindo o lugar desde onde sentiam que o Senhor lhes convidava a inserir-se e desde aí itinerar pela Amazônia... Em fevereiro de 2000, sete pessoas de quatro instituições diferentes iniciaram a primeira Comunidade Itinerante (CI), organizada em três casas palafitas no igarapé do Franco, bairro Vila da Prata, Manaus (AM). Quatro pessoas daquele grupo inicial vinham de fortes e longas experiências de inserção no mundo das periferias urbanas, rural ou com comunidades indígenas. O Pe. Cláudio Perani sj apoiou com firmeza o discernimento e decisão de criar a CI. Ele só perguntou: “Vocês têm discernido bem?” E com sabedoria insistia na importância de ter “um pé na inserção e um pé na itinerância”.Comunidade Trindade, Manaus: Primeiro no bairro Vila da Prata, 2000-2006; Depois na Travessa Arthur Bernardes 2006-2012Quatro anos depois, março/2004, teve início o segundo núcleo da EI na tríplice fronteira amazônica de Brasil-Colômbia-Peru, no alto rio Solimões ou Amazonas. Discerniram e decidiram criar a segunda CI inserida no bairro de palafitas “La Unión”, situado no igarapé Santo Antônio que faz divisa entre a cidade colombiana de Letícia e a cidade brasileira de Tabatinga (AM). A intuição foi interessante: situar a CI inserida no lado colombiano onde se fala espanhol, e o escritório do núcleo do lado brasileiro de fala portuguesa. Assim, os próprios membros do núcleo experimentam essa dinâmica inter-fronteiriça de mobilidade humana.Comunidade Três Fronteiras Brasil-Colômbia-Peru, Bairro “La Unión”, Leticia, Colômbia, 2004 até hoje8Por último, no ano 2008 abriu-se o terceiro núcleo da EI com base em Boa Vista, Roraima, perto das fronteiras de Brasil com Venezuela e Guiana. Em dezembro de 2009 Dom Roque Paloschi, bispo da Diocese de Roraima, emprestou de forma gratuita uma casa simples, não inserida, para moradia da CI desse novo núcleo.Comunidade Itinerante de Boa Vista, Roraima, Bairro Calunga, 2008 a ...Assim, na experiência da EI, a Comunidade Itinerante Inserida é um elemento essencial que configura o projeto e lhe dá uma particular característica. Manter esta articulação e sadia tensão entre inserção e itinerância, entre comunidade inserida (“um pé na inserção...”) e missão itinerante (“... e um pé na itinerância”) é um elemento constitutivo da identidade da EI. Contudo, já foi claro nos primeiros anos da EI que morar nas Comunidades Itinerantes Inseridas era uma opção livre das pessoas que integravam o projeto. Assim pode-se fazer parte da missão da EI sem ter que morar numa de suas comunidades inseridas, seja por razões pessoais ou institucionais.Outro nível fundamental de inserção da EI é o modo inserido de viver a missão: “de comunidade em comunidade”; viajando sempre que possível com os meios de transporte que usam as comunidades; morando com as famílias, comendo e bebendo o que eles nos oferecem; pescando, caçando e ajudando nos trabalhos da casa e da comunidade; rezando, rindo, chorando, celebrando e partilhando a sua vida cotidiana. Nessa partilha de vida, da muita alegria escutar: “Que bom que vocês estão aqui sem pressa!” “Que bom que gostam de nossa comida!” “Voltem sempre!”7Por opção, a equipe não tem transporte próprio. Assim nos obrigamos a ter que depender dos outros em alguma coisa... Se quando realizamos uma missão, em nada dependemos dos outros, mau sinal... Em algo temos que ser inter-dependentes, só assim a relação missionária será respeitosa, recíproca entre sujeitos. É fundamental que todos partilhemos nossa pobreza, colocando cada um em comum, complementariamente, seu ser e ter... Caminhando lado a lado, nem à frente nem atrás... Só assim poderemos realizar a missão comum à que Deus nos chama e envia.7 Catequista Bene, Comunidade Timbira, São Gabriel da Cachoeira, alto rio Negro, Amazonas, 2003.93. Inter-Institucionalidade: A nossa missão comum é tão importante quanto a minha missão pessoal ou institucional.8 “Um pé na minha instituição e um pé nas instituições dos outros”.Se frente aos grandes desafios da missão hoje, todos reconhecemos que sozinhos não podemos chegar porque não temos recursos humanos, nem materiais, nem econômicos suficientes, há duas possibilidades: Ou Deus se esqueceu de seus filhos e filhas mais crucificad@s, onde as feridas estão mais abertas e a vida mais ameaçada, ou Deus nos pede trabalhar de outro modo: somar para chegarmos juntos onde sozinho ninguém consegue chegar! Porém, devemos somar não só porque não temos recursos frente aos grandes desafios amazônicos; devemos juntar-nos, sobretudo, porque a visão e missão ficam mais “divina”, mais trinitária, mais complementária, mais profética frente a um mundo fragmentado e individualista.A pergunta é: Estamos abert@s pessoal, congregacional e interinstitucionalmente a deixar-nos fecundar por Deus neste caminho do “INTER”?O apóstolo Paulo, a partir de sua experiência pessoal nos diz: “Quando sou fraco é então que sou forte” (2Cor 12,10). É na nossa fraqueza pessoal e institucional que se manifesta a fortaleza de Deus. Só quando reconhecemos humildemente que sozinhos não podemos, nem pessoal nem institucionalmente, Deus pode fazer o milagre de fecundar-nos e fortalecer-nos criativamente no encontro com os outros. Quando somos ou nos consideramos poderosos (pessoal ou institucionalmente), nem Deus consegue entrar e fazer o milagre. A inter-institucionalidade na missão requer muita humildade e abertura, pessoal e institucional. E a verdadeira humildade nos abre à criatividade que nos fecunda no encontro com @s outr@s.Os fundamentos da inter-congregacionalidade e inter-institucionalidade na missão os encontramos na própria teologia Trinitária e na Cristologia Paulina. Fomos “criados a imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,26-27). O próprio Deus-Trindade nos cria a imagem e semelhança dEle, unidade divina na diversidade de Pessoas. Somos seres relacionais. Crescemos e nos desenvolvemos na relação com nós mesmos, com @s outr@s “diferentes” e com o “Outro”...Paulo lembra que “somos membros de um mesmo corpo que tem a Cristo por cabeça” (1 Cor 12), e que todos os membros são necessários e importantes para a vida e missão do corpo.A Inter-Congregacionalidade e Inter-Institucionalidade é um convite a partilhar nossa pobreza, partilhar nossos recursos (humanos, econômicos e materiais), o que somos e temos. Fomos chamados a partilhar o que somos e temos na nossa vida em missão: “Ele chamou @s que quis para estar com Ele e enviá-l@s em missão” (cf. Mc 3,13-15).8 Equipe Itinerante: “Interinstitucionalidade: O nosso tão importante quanto o meu!”, em Convergência, Conferência d@s Religios@s do Brasil (CRB), Janeiro-Fevereiro/2009, XLIV, n.418.10Assim, a EI é um espaço inter-institucional de serviços às comunidades, igrejas, organizações, movimentos, grupos e povos da Amazônia. Não é uma outra “congregação” ou uma Organização Não Governamental (ONG), nem uma instituição juridicamente constituída. A EI não tem personalidade jurídica própria, e não quer ter, para poder ensaiar novas formas organizativas, mais leves e que lhe permitam ser “invisível” (juridicamente falando) para atravessar as fronteiras. Ela não tem identidade jurídica própria, porque já tem e aproveita de toda a força interinstitucional das organizações que somam na proposta. A leveza institucional da EI se da graças ao compromisso interinstitucional das organizações membros. Sem as congregações, instituições e grupos que apoiam e enviam recursos humanos, econômicos e materiais, a EI não existiria. A EI é um espaço inter-institucional de serviços missionários que só existe porque existem congregações, instituições e grupos que decidem somar corresponsavelmente numa mesma missão.As pessoas da EI são enviadas por uma instituição, congregação ou grupo, que também busca os recursos econômicos necessários para sustentá-la e contribuir com o caixa comum da missão, conforme o estipulado no projeto. Se a instituição, congregação ou grupo que envia uma pessoa não tem recursos próprios, deve buscá-los junto a outras agências de cooperação ou grupos de solidariedade.Para que a Inter-Institucionalidade na missão aconteça todos devem “partilhar sua pobreza”, contribuindo corresponsavelmente com seu grão de areia: Capuchinhos (VIPROCAR), com a sala para a secretaria; CNBB (Norte 1), com a pessoa que colabora na secretaria; Irmãs de Nossa Senhora, com o acompanhamento à secretaria; Jesuítas (BAM), com uma conta bancária ao serviço da EI; Maristas, com a assessoria; etc. Assim, todas as instituições contribuem segundo suas possibilidades: recursos humanos, materiais, econômicos.A inter-institucionalidade é um modo particular de resposta ao convite feito pelo Senhor a “estar com Ele e ser enviados em missão” (cf. Mc 3,13-15). A Inter-Institucionalidade exige que todos tenham “um pé dentro de sua instituição e um pé fora, nas instituições dos outros”. Também é fundamental que se assuma a missão comum corresponsavelmente, com igual responsabilidade que se abraça a própria missão pessoal ou institucional. “Inter-Institucionalidade: o nosso tão importante quanto o meu”. Só assim a inter-institucionalidade na missão é possível.Na atualidade a EI está integrada por umas 10 instituições e tem perspectiva da chegada de outras. Também há instituições que vem colaborando nestes anos de distintas formas com a EI.114. Inter-Fronteiriço: “Chamad@s a atravessar as fronteiras, geográficas e simbólicas, nos dois sentidos”.9 “Um pé neste lado da fronteira (geográfica ou simbólica) e um pé no outro lado”.O Evangelho de Mateus nos conta que “Jesus obrigou os discípulos a entrar na barca e ir para a outra margem do mar” (Mt 14,22). E que atravessando o próprio Jesus à outra margem do lago, uma mulher siro-fenicia – de cultura, língua e religião diferente à sua – o “converteu”, ajudando-o a entender que o projeto do Pai era para todos e não só para o povo judeu (Mt 15,21-28). Também Paulo faz a mesma experiência: atravessando as fronteiras do mundo judeu descobre que o Espírito de Deus já estava presente e atuante entre os pagãos (helenistas)... Voltando Paulo a Jerusalém, teve que enfrentar Pedro e Tiago que queriam impor aos irmãos helenistas os rituais, costumes e tradições do povo judeu (“povo eleito”) como condição necessária para entrar na comunidade cristã. Paulo insiste em que foi o próprio Espírito de Deus quem escolheu eles e que não tinham que circuncidar-se para entrar na comunidade cristã (cf. At 15).A história se repete: Deus sempre nos espera e surpreende revelando-se como novidade, como dom e como graça na outra margem, no outro lado da fronteira geográfica ou simbólica, no outro diferente...Os bispos da América Latina em Aparecida insistem: “Devemos nos formar como discípulos missionários sem fronteiras, dispostos a ir à outra margem” (DAp 376). Depois de 14 anos itinerando pela Amazônia confirmamos que nas fronteiras, geográficas e simbólicas, as feridas estão mais abertas e a vida mais ameaçada. Por isso é importante a indicação da proposta de Aparecida: ”Estabelecer entre as Igrejas [congregações, organizações...]10 locais de diversos países sul-americanos que estão na bacia amazônica uma pastoral [missão]11 de conjunto, com prioridades diferenciadas, para criar um modelo de desenvolvimento que privilegie os pobres e sirva ao bem comum” (DAp 475, b).O missionário sempre deve ter um pé dentro, deste lado da fronteira, e um pé fora, do outro lado da fronteira. Somos chamad@s a entrar nas fronteiras onde as feridas da história, da humanidade, da mãe-terra e do cosmos estão mais abertas e a vida mais ameaçada. Atravessar as fronteiras exige risco, despir-nos de nossas “velhas roupas”, esquemas e lógicas; deixar morrer a “humanidade velha” para renascer a “humanidade nova” (cf. Ef 4,17-32); “vinho novo em barris novos!” (Mc 2,22). Esse é o desafio que vivemos na Amazônia, onde somos convidad@s a atravessar nossa “monocultura” de visão e lógica lineal para uma “ecologia de culturas”12, com uma enorme diversidade de visões e lógicas mais holísticas, com diversidade de espaço-9 Fernando López sj, Arizete Miranda cns, e Elías López sj: “Equipo Itinerante de la Amazonia: Llamados e enviados a atravesar las `fronteras´ en los dos sentidos”, em Testimonio, Conferre, n. 245, Santiago de Chile, 2011.10 Os acréscimos entre [...] são nossos. 11 Idem.11 Idem.12 Boaventura de Souza: “A gramática do tempo”12temporalidades. Só assim é possível captar e compreender as novidades que se encontram do outro lado das fronteiras e que @s outr@s diferentes nos revelam e oferecem.Porém, não basta atravessar as fronteiras num único sentido. É necessário atravessar as fronteiras, geográficas e simbólicas, nos dois sentidos. Há que “sair” ao outro lado da fronteira e depois voltar a “entrar” trazendo e traduzindo em categorias compreensíveis as novidades encontradas ao outro lado. Somente assim, atravessando as fronteiras nos dois sentidos, poderemos avançar, desconstruir os velhos modelos que não dão conta dos tempos em que vivemos, e recriar novos paradigmas que respondam aos grandes desafios que a Amazônia e o mundo nos apresentam hoje.Na atualidade, a EI está constituída em três núcleos:1) Núcleo Manaus, capital do Estado de Amazonas, Brasil (1998);2) Núcleo BraCoPe, em Tabatinga-Leticia, no alto rio Solimões, na tríplice fronteira amazônica (2004);3) Núcleo BraVeGui, em Boa Vista, Estado de Roraima, na tríplice fronteira amazônica de Brasil-Veneluela-Guiana (2008).Com a chegada de novas pessoas esperamos abrir em 2013 o novo núcleo de BolPeBra (Assis Brasil – Iñapari – San Pedro), na tríplice fronteira amazônica de Brasil (Acre) – Bolívia (Pando) – Peru (Madre de Dios).Equipe Itinerante: “Abelhas na floresta”A EI presta um serviço semelhante ao das abelhas na floresta:1. Polinizar: As abelhas levam o pólen de uma flor para a outra fazendo que todas as árvores e a floresta se fecundem e produzam muitos frutos. Quando em um pomar ou na floresta não há abelhas, ou poucas abelhas, a fecundidade das plantas diminui muito. A EI presta o serviço parecido ao das abelhas: leva o pólen das experiências positivas de umas regiões da Amazônia para outras. Com esse intercâmbio todos vão aprendendo, vão fecundando-se e produzindo mais e melhores frutos.2. Produzir o mel: Também ás abelhas recolhem os néctares das variadas flores e árvores da floresta. Com essa imensa variedade de néctares elas elaboram o rico e nutritivo mel que a todos encanta e alimenta. A EI vai recolhendo informações e sistematizando as distintas realidades e valiosas experiências que encontra ao longo de suas itinerâncias pelos rios e florestas da Amazônia. Depois devolve estas experiências e informações sistematizadas para que todos possam aproveitar essa enorme diversidade e riqueza amazônica e assim melhorem suas práticas e serviços junto aos povos da região.2. Ferroar: Por último, as abelhas têm um ferrão para defender-se daqueles que ameaçam a vida. Assim também a EI recolhe informações e denuncia as situações de violência depredadora e injustiça socioambiental que matam a vida da Amazônia e de seus povos. Ela denuncia os projetos de morte, mas também anuncia o Deus da Vida e seu projeto de Vida Abundante (cf. Jo 10,10).13Para continuar itinerando…Não queremos concluir este texto, pois a itinerância requer sempre uma abertura ao novo, um “’pé fora” e um “pé dentro” para acolher nas diversas culturas à graça de Deus que se revela a nós de muitas e diferentes formas. Ficam muitas inquietações que nascem deste chão fértil da Amazônia, banhada pelas suas águas, já intuídas por Cláudio e que o teólogo Victor Codina sj reforça e fundamenta:“Tudo isso indica que vamos rumo a um novo estilo de vocação religiosa, mais reduzida e minoritária, mais mística e profética, mais pobre, com uma maior relação com os leigos e com outras congregações (inter-congregacionalidade), com vocações mais maduras e adultas e não tão jovens, abrindo-se a novas formas de comunidade e de compromissos, com mais fermento do que cimento, e de forma mais significativa, mais carismática e livre, que repense seus trabalhos e ministérios (por exemplo, revisar a paroquialização da vocação religiosa masculina clerical!), mais semelhante às suas origens, que vivam uma aventura evangélica e uma insegurança de nômades, sempre abertos ao sopro do Espírito.”13Obrigad@ Cláudio por teu testemunho de vida em missão “com um pé dentro e outro pé fora”, por tua ousadia e profecia.13 Entrevista ao teólogo Victor Codina sj em IHU. http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2659&secao=29

 

Arizete M. Dinelly

Fernando López

Graça Gomes

Roselei Bertoldo ICM

Paco Almenar sj

 Mariza Miranda Dinelly

Equipe Itinerante

 

 

 

 


 

TAMANDUA


Nos dias 28 a 30 de abril os povos indígenas da região da serra na comunidade Tamanduá, celebraram e festejaram as suas datas comemorativas: Como  15 de abril dia da homologação terra indígena Raposa Serra do Sol; 19 de abril nacionalmente conhecida como dia do índio; 26 de abril de 1.977 dia e ano da decisão de “OU VAI OU RACHA,” decisão que impulsionou a luta pela reconquista do território dos povos indígenas em Roraima (RR), em especial da TIRSS (Terra Indigena Raposa Serra do Sol), inauguração do centro de produção regional.

O objetivo era Celebrar os dias que marca e permanece na memória de seu povo a luta, sofrimento e conquista, repassando esses acontecimentos para os jovens, conforme sua cultura, crença e tradições, milenarmente vivido pelos nossos povos indígenas.

Fazer analise de conjuntura e repudiar atitudes que ainda no sec XXl, após vários avanços, os povos indígenas em 2011 e 2012 passaram a sofrer intensamente ataques, aos seus direitos conquistados na campanha da fraternidade 88, que atualmente tem varias propostas de leis, que altera para pior os seus direitos. Por serem cidadãos brasileiros querem exercer essa cidadania e que seus direitos sejam respeitados.  


 

                                                       BUEN - VIVIR

La Asamblea del CIMI-Norte, celebrada en el mes de febrero del presente año, tuvo como lema el BUEN-VIVIR de los pueblos indígenas, que reivindica sus  principios éticos y saberes tradicionales.

Este lema es el símbolo de la lucha que estos pueblos mantienen con el fin de conservar laque ha sido su forma de estar en la TIERRA desde tiempos remotos, y que consiste en el respeto a la naturaleza y en la vida en comunidad, teniendo, todas las personas que la integran, los mismos derechos, y haciendo suyos los valores de igualdad, equidad y fraternidad.

Los misioneros del CIMI los apoyan en esta causa de la que depende que sus hijos y sus nietos puedan vivir felices en la tierra que llevan cuidando generación tras generación. 

El reto es grande, porque estos pueblos viven en la Amazonia, una de las regiones geopolíticas más codiciadas del mundo, y decisiones tomadas geográficamente muy lejos afectan,  de manera irreversible, a las pequeñas comunidades que en ella viven.

Los grandes agentes de explotación,  de la biodiversidad, del petróleo, de los minerales, del agua, etc.,  buscan encontrar aquí su “El Dorado” a costa de la tierra y vida de miles de indígenas, que ni participan ni cuentan en este proceso. Por no hablar del narcotráfico y de las mafias de todo tipo.

Lo que para el “mundo desarrollado” es un lugar de oportunidades y una fuente de materia prima para responder a intereses económicos, es el hogar de estos pueblos que lo habitan desde hace miles de años y que desaparecerán como tal si pierden su tierra, su cultura. Su vida es la tierra que tienen, trabajan, y de la que, de forma corresponsable con la naturaleza, sacan los recursos que necesitan. La tierra es su fuente de vida.

Debido a la explotación de la tierra por estos agentes externos, son obligados a emigrar a las ciudades en busca de una oportunidad. Pero los esquemas por los que se rigen las ciudades nada tienen que ver con lo que ha sido su vida hasta ese momento y la integración no es fácil, corriendo el riesgo de la marginalidad en una sociedad cuya economía y patrones de consumo han sido de manera  directa o indirecta los causantes de su éxodo.

En estos momentos, donde nuestro mundo afronta una gran  crisis, donde el sistema se ha basado en el objetivo de la acumulación y ganancia sin límites, donde el instrumento para lograrlo ha sido una competencia despiadada,  prevaleciendo el más fuerte frente al  débil y donde se ha considerado que la naturaleza era una fuente inagotable de recursos, estos pueblos nos enseñan el BUEN-VIVIR frente al “vivir-bien” que ha caracterizado a nuestro “mundo desarrollado”, y a vivir de manera conectada con la naturaleza, de manera pacífica, solidaria y recíproca en las relaciones.

Todas las acciones que realicemos encaminadas a conseguir el BUEN-VIVIR en nuestro día a día desarrollado harán que la presión sobre la Amazonia se rebaje y le estaremos dando una oportunidad tanto a los pueblos que allí viven como a nosotros mismos.

Loreto Vidal

RED Internacional Equipe Itinerante

 

 


Foto: Fernando Lopez
Foto: Fernando Lopez

                                 

 

                                              S.O.S.  ¡Nos estamos ahogando!

El barrio Arthur Bernardes se encuentra en el centro de la ciudad de Manaus (Estado de Amazonas, Brasil), en el cruce de dos avenidas principales, São Jorge y Constantino Nery. Es un barrio de palafitos, al margen del Igarapé (Arroyo. Literalmente en tupí-guaraní: “camino de la canoa”) de la Cachoeira Grande (cascada grande), que desemboca al rio Negro, afluente del Amazonas. En él viven 550 familias que, en su mayoría, vienen del interior buscando mejoras de vida (salud, educación, trabajo, etc.). Son familias pobres, sin recursos económicos para comprar un terreno en un lugar seguro y acabaron instalándose en esta área de riesgo por ser terrenos fiscales que se ocupan sin tener que pagar por ellos.
En este barrio y en dos de sus casas palafitas vive la Comunidad Itinerante de Manaus desde hace ya varios años. Con estas familias compartimos lágrimas y sonrisas, dolores y alegrías, derrotas y conquistas, luchas y esperanzas… Con base aquí, en Manaus, fue donde comenzó el Equipo Itinerante en 1998.
La vida sobre tablas es dura: todas las casas y los puentes que conectan unas con otras son de madera. Por debajo de las casas pasa el agua que arrastra la basura de toda la ciudad y que también recibe los deshechos del barrio, ya que no existe una infraestructura de saneamiento. Los baños y las duchas van directamente al arroyo. La luz y el agua de muchas casas son “gatos”, es decir, conectadas directamente a la red de distribución urbana de modo irregular. Con mucha creatividad y sentido del buen humor, toda la vida de las personas (ancianos, jóvenes y niños) y animales (perros, gatos, ratones) trascurre sobre la estrechez de las tablas. No hay por donde escapar de la relación obligada de unos con otros: en las pasarelas estrechas, en las casas engrudadas pared-con-pared unas con otras, conversaciones de ventana-con-ventana y puerta-con-puerta. Todo un exigente ensayo de convivencia.
En 2009 tuvo lugar la mayor crecida del río Amazonas registrada en la historia. El barrio quedó totalmente inundado. El agua del río entró en todas las casas y hubo que montar “marombas”, un falso suelo sobre el que poder estar hasta que las aguas vuelvan a su curso normal. Para que el Gobierno ayudase a la comunidad en esta situación de emergencia se tuvo que llamar a la prensa y hacer mucha presión con manifestaciones, cerrando las avenidas principales que dan acceso al centro de la ciudad, etc. Lamentablemente sólo por la presión social las ayudas gubernamentales llegaron.
Gracias al esfuerzo y lucha de la Asociación de Vecinos Arthur Bernardes, cuya sede-palafita fue construida con el apoyo de Caritas Tenerife (España), se consiguió el compromiso del Gobierno de urbanizar la zona. Inicialmente el proyecto gubernamental solo preveía indemnizar con una pequeña cantidad a las familias del barrio. Bajo el pretexto de “sanear los arroyos de Manaus”, el gobierno aprovechaba para hacer “limpieza social” sacando a todos los pobres del centro de la ciudad. La Asociación Arthur Bernardes denunció esta injusticia y conquistó este espacio habitacional para todos los pobladores del barrio. Muchas familias quieren continuar viviendo en esta zona céntrica por estar próxima a sus trabajos. Con la ayuda de la Asociación, el esfuerzo y la unión de las familias se aseguró el espacio y el derecho de una vivienda digna para todos. Aunque el proyecto de urbanización, con inicio previsto para diciembre de 2011 según las placas del gobierno, no ha comenzado todavía y ya estamos en mayo de 2012.
Un nuevo record histórico de crecida del rio Amazonas se está repitiendo en este año. Los vecinos más antiguos del barrio no recuerdan algo igual en los más de 30 años que viven en la zona. Ellos dicen que eso es “el cambio climático”. De hecho, el desequilibrio climático y ambiental del planeta se siente ya de modo muy fuerte en toda la región amazónica.
Con la crecida de las últimas semanas y las fuertes lluvias de los últimos días (abril), muchas casas se encuentran ya bajo el agua. Y quedan todavía dos meses de crecida del rio (mayo y junio). Los vecinos ya han tenido que levantar el suelo (“marombas”) colocando maderas para tener un espacio seco y seguro donde poner sus cosas y poder “vivir-doblados”, con el techo pegado a la cabeza. Muchos baños y duchas ya no se pueden utilizar… Solidariamente, los vecinos se ayudan unos a otros cargando las cosas y prestándose sus precarias instalaciones.
Una vez más la historia se repite: ¡Las acciones del gobierno llegan muy tarde! El pronóstico de la crecida del río se sabía hace meses y la Asociación Arthur Bernardes alertó varias veces a las autoridades, para agilizar las acciones de emergencia antes de que el agua anegara las casas y pasarelas del barrio. Pero el personal de Protección Civil sólo llegó después del agua inundar gran parte del barrio, con la presión de los vecinos y la prensa, para construir una pasarela sobre el camino principal de entrada (“puente sobre puente”) al barrio. Eso resuelve el acceso al barrio, pero no el problema de las casas, que siguen anegadas y no se prevé ninguna solución hasta el momento.
Frente a la desesperante situación y nerviosismo de la gente, la Asociación hizo un llamamiento a las familias a movilizarse y hacer una protesta pacífica cerrando la avenida São Jorge que da acceso al centro de la ciudad. El objetivo era que acudiese algún representante gubernamental para que se atiendan de forma urgente la situación del barrio.
Los vecinos organizados con pancartas y un gran altavoz, rápidamente cortaron la calle con dos troncos y otras cosas: neumáticos, un televisor, un colchón, etc. Los primeros coches dan la vuelta mientras los niños juegan al futbol en medio de la avenida… Aparece en primer lugar la policía local que intenta organizar el tráfico y desviarlo por la primera bocacalle... La gente avanza hasta ese punto dando a conocer a la gente que pasa el motivo de la manifestación y corte de la avenida... Llegan los primeros medios de comunicación y comienzan las declaraciones de los dirigentes barriales y los vecinos… Llega la policía militar y el batallón de choque… La tensión crece. Desde los manifestantes se insiste en que es una manifestación pacífica reivindicando respeto a su dignidad y atención a la situación de emergencia en la que vive todo el barrio y otros muchos barrios de Manaus.
Tras algunas negociaciones se llamó a un representante del gobierno para que acuda, a cambio la gente retrocede hasta la entrada al barrio, cortando sólo un carril de la avenida. Se insiste en que no se trata de un acto de vandalismo, sino una acción reivindicativa y se pide disculpas por las molestias ocasionadas, pero los moradores del barrio no tienen otra forma de ser escuchados por las autoridades.
Finalmente, después de más de 5 horas de manifestación llega el representante del gobierno. Promete realizar un catastro y buscar soluciones lo más inmediatas posibles dada la situación de emergencia…
El agua continuará creciendo dos meses más y la situación en el barrio se agrava cada día. Si el gobierno no cumple satisfactoriamente con las justas reivindicaciones de los vecinos, en la próxima semana continuaran las manifestaciones cerrando las dos avenidas próximas al barrio que dan acceso al centro de la ciudad…

 

Equipo Itinerante:

Luis Delgado

Arizete Miranda CNS-CSA

Fernando López sj 

 

 

 

 


Foto: Francisca Espinosa
Foto: Francisca Espinosa

No más violencia contra los hermanos Yukpa y los Pueblos Indígenas de Venezuela. ¡Demarcación de Territorios Continuos sin Terceros ya!

 

Pronunciamiento de la Universidad Indígena de Venezuela (UIV)

Caño Tauca, Bolívar, 19 de abril de 2012 Día internacional de los Pueblos Indígenas

 

Nuestra UIV es una institución de educación universitaria indígena reconocida por el Estado Venezolano (Decreto n.8.631, 29 de noviembre de 2011). En la actualidad estamos presentes en la UIV ocho pueblos indígenas: Huottuja, Pemon, Jivi, Warao, Pume, Eñepa, Shiriana y Ye’kwana. Expresamos nuestra palabra frente al hecho grave del asesinato de dos hermanos Yukpa ocurrido el día viernes 13 de abril del presente año, en la Sierra Perijá del Estado Zulia. Nosotros, los estudiantes de la UIV, nos hermanamos solidariamente y expresamos nuestro dolor y condolencia a los hermanos Yukpa, para que se sientan acompañados y fortalecidos por parte de los estudiantes indígenas. Cuando recibimos la noticia nos causó un dolor profundo. Nosotros los estudiantes los animamos y estamos unidos espiritualmente a ustedes. Con dolor e indignación preguntamos: ¿Por qué todavía siguen asesinando a los luchadores y líderes indígenas que defienden sus territorios originarios? ¿Por qué nos responden con tiros y violencia quitándonos la vida? Nos indigna y no es justo que estén discriminando, maltratando y matando a los Yukpa solo porque están exigiendo su tierra ancestralmente ocupada. Denunciamos estas muertes y exigimos que se haga justicia a los responsables de lo ocurrido. Afirmamos que las luchas indígenas por nuestros territorios siempre han sido y siempre serán el motivo de nuestras vidas. El Cacique Yukpa Sabino Romero es ejemplo vivo de la resistencia indígena y de la lucha por el territorio desde hace 30 años. El Cacique Sabino fue apresado más de un año por la justicia ordinaria, por luchar por la autonomía de su territorio originario. Y su padre, José Manuel Sabino Izarra, fue también asesinado por defender su territorio. La lucha de los pueblos indígenas por sus territorios tiene ya 520 años (desde la colonización) y continuará siempre hasta la victoria. Universidad Indígena de Venezuela En octubre del año 2010 los estudiantes de la Universidad Indígena de Venezuela, conjuntamente con organizaciones de base de los pueblos indígenas y otras aliadas, apoyamos la huelga de hambre iniciada por el hermano José María Korta SJ frente a la Asamblea Nacional en Caracas. Con esta acción exigimos al Gobierno: a) La inmediata liberación del Cacique Sabino Romero y el cumplimiento del artículo 260 (CRBV) sobre jurisdicción indígena; b) La demarcación urgente de los territorios y hábitat indígenas y sus derechos irrenunciables consagrados en el Capítulo 8 y el artículo 119 de la CRBV. Durante 14 días trabajamos el documento “Hoja de Ruta” que entregamos a la Vicepresidencia de la República. Con estas acciones se consiguió la liberación del Cacique Sabino Romero y se inició el proceso nacional de demarcación de los territorios indígenas. Exigimos y animamos al gobierno: a) A cumplir y respetar los derechos de los pueblos indígenas en todos sus ámbitos: culturales, sociales, territoriales, educativos, políticos, organizativos, etc. reconocido hace ya más de diez años por la CRBV (1999). b) A reconocer, respetar y demarcar inmediatamente, en área continua y sin terceros, los territorios indígenas. Mientras no se haga la demarcación continua y sin terceros, la violencia continuará dentro de los territorios indígenas. c) A investigar con transparencia el asesinato de nuestros dos hermanos Yukpa, sus autores materiales e intelectuales, y hacer justicia para que el caso no quede impune. d) A proteger a los hermanos Yupka y a los pueblos indígenas en general. El Estado tiene la obligación de cuidar y proteger la vida de nuestros pueblos. Por último, los estudiantes de la UIV animamos a nuestros hermanos y hermanas de los Pueblos Indígenas de Venezuela a que sigamos luchando. La tierra no nos la van a entregar fácilmente, es necesario que luchemos todos juntos para retomarla. No debemos debilitarnos por la pérdida de nuestros hermanos Yukpa. Ellos murieron luchando por la tierra. Su muerte no es en vano. Su sangre nos compromete más para luchar juntos por nuestros territorios. Hermanos y hermanas Yukpa no están solos, todos los pueblos indígenas estamos con ustedes, seguimos vivos y unidos en la lucha. ¡La lucha continúa, unidos venceremos!


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